Sorri e o Mundo Sorri Contigo por Luísa Sargento

29 maio 2009

De DeRose



"Mais sábio é rir da própria desgraça do que da alheia."

Chiado

Trabalhar no Chiado tem aspectos maravilhosos como também tem os seus opostos...

Uma das zonas de Lisboa que eu mas gosto com os seus contrastes: a diversidade cultural que aqui anda...

Espectáculos para todos os gostos: as peças de teatro, as óperas, os concertos, as festas, o convívio, as lojas de acessórios fantásticos, as manifestações e os sem-abrigo que aqui vivem... A pobreza meia disfarçada pela exuberância de quem preenche esta zona tão típica de Lisboa.

Quem simplesmente passar por aqui e não olhar o que está à sua volta, não vê aquilo que deveria ser visto: aqueles que pedem e dormem todos os dias no chão da rua, nalgum espaço mais ou menos abrigado e hipoteticamente escondido...

Alguns vivem assim porque preferem, mas a maioria, certamente, sobrevive neste espaço egoisticamente criado por nós... Uns sucumbem à loucura, outros refugiam-se no álcool, nas drogas que lhes permitem ver outra realidade que não aquela a que estão habituados, mas sinceramente eu preferia que todos tivéssemos acesso a uma vida condigna.

Os Sankalpa e a família Lopes


O meu querido amigo:Pedro Lopes!





Beijinho muito grande para ti, Marta Lopes!

Silêncio que se vai cantar o fado!

Não é porque esta semana saiu em todas as revistas, mas esta jovem fadista tem na alma Lisboa, tem o fado original a correr-lhe nas veias: a voz, a atitude! Por incrível que pareça, foi na Oxigénio que ouvi falar dela, esta manhã enquanto vinha para o Chiado, despertou-me a curiosidade e aqui está - Carminho:

28 maio 2009

VAMOS CRIATURA!

"Você já parou para pensar que suas acções são meros reflexos de um condicionamento social que lhe escraviza a um comportamento estereotipado, comportamento de rebanho que caminha para o matadouro, infeliz, mas resignado?
Já meditou no fato de que você não usa o seu livre arbítrio nem um pouco e que você pensa, fala, sente e age de acordo com aquilo que os outros esperam de você?

Onde esta o ser inteligente que se distingue do resto dos animais pelo seu poder de volicao e de decisão? Ele esta manifestado em você? Vamos, sinceridade. Você faz o que quer - ou, ao menos, atreve-se a pensar o que quer? Ou pensa aquilo que a família, os amigos, as institui coes querem que você pense?

Não, não pare de ler. Ou só vai ler as coisas amorosas que eu escrever? Enfrente pelo menos um pedaço de papel que lhe diz na cara que você não se assume. Que você tem sido tão influenciável pela opinião dos outros, que esta se tornando uma pessoa sem vontade, sem personalidade.

Não estou zangado, não. Estou e tentando sacudir você tão bem que talvez consiga despertar. Afinal, você e inteligente e sabe a enorme variedade de doenças físicas e psíquicas que advêm da frustração, da auto-mentira, da infelicidade cronica do dia-a-dia sem sentido, do stress causado pela rotina medíocre e mesquinha.

Você já achou o sentido da sua vida?

A vida e dinamismo, e movimento e não estagnação. Estagne-se pelo medo de agir e se deteriorara como as tantas esposas e mães que vivem frustradas e arrependidas por não se terem deixado arrebatar por uma grande causa... e hoje trazem no semblante os vincos indeléveis da infelicidade incurável, essa mesma infelicidade que não hesitam em oferecer como herança malsa as suas filhas para que vivam as mesmas depressões, as mesmas conversas, as mesmas pressões, as mesmas fofocas, a mesma impotancia para um orgasmo pleno ou para uma opinião própria, as mesmas lamentações, as mesmas lágrimas...

Você tem um compromisso cósmico agora! Mas tem, também, a liberdade de não aceita-lo. O karma lhe deu a liberdade de opção que constitui a chave mestra de um fardo chamado responsabilidade. Só que, ingrato, você recusa essa dádiva e se obstina em não querer assumir a responsabilidade da decisão.

Você se acomoda indolentemente na almofada fofa da inercia. Simplesmente por medo de enfrentar uma mudança.

Você já parou para pensar na idade que tem? Não acha que já esta na hora de ter um pouco mais de maturidade?

Vamos! Utilize uma pontinha de sinceridade e responda: essa e a vida que você queria? Ela lhe realiza? Você já pensou como e que vai ser o seu futuro se tudo continuar nessa covardia e nessa acomodação?

Vamos, Criatura! Aventure-se, corra o risco que a vida e isso. A vida vale a pena quando se tem uma boa causa pela qual se possa sorrir ou chorar, pela qual se possa viver ou morrer."

DeRose

De Almeida Garrett

"Este inferno de amar

Este inferno de amar - como eu amo!-
Quem mo pôs aqui n'alma... quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida - e que a vida destrói-
Como é que se veio a atear,
Quando - ai quando se há de ela apagar?

Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez... - foi um sonho -
Em que paz tão serena dormi!
Oh! que doce era aquele sonhar...
Quem me veio, ai de mim! despertar?

Só me lembra que um dia formoso
Eu passei... dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? eu que fiz? - Não no sei;
Mas nessa hora a viver comecei..."

26 maio 2009

Há sei anos...

Há seis anos atrás estava eu a vocalizar mantra, a passear por casa, a conversar com o Tomás que estava a preparar-se para chegar a este lado!

Já passaram seis anos desde esse maravilhoso dia e seis anos e nove meses desde a primeira vez que falei com ele...

Ainda me lembro de todos estarem a gozar comigo na sala da unidade Marquês do Pombal porque eu estava a olhar para o espelho e dizia: estou mais gorda e pensava para comigo cá para mim estás grávida! E todos diziam lá está ela com estas parvoíces.

Ainda me lembro de quando disse a todos os meninos do Marquês que estava grávida: fomos almoçar no Saldanha Residente e enquanto comíamos revelei-lhes o porquê da minha proeminência abdominal que ninguém via.

Ainda me lembro de quando disse ao meu Mestre, que para que não sabe é o DeRose, foi na inauguração da unidade da Foz e do seu sorriso...

Ainda me lembro das bonita palavras que o meu Mestre me disse cinco meses depois no curso de Iniciação ao Tantra Dhyána, bem como quando viu o Tomás pela primeira vez ainda ele não tinha seis meses. E deste momento bem engraçado, na Fnac do Colombo:

Foram nove meses fantásticos, passados na antiga unidade Camões agora Chiado, nos quais ouvia a Renata dizer é menino e eu dizia-lhe pois é - é o Tomás. Nós as duas sabíamos, intuíamos...

Costumo brincar estava enorme mas estava bonita como nunca...

E hoje estou aqui orgulhosa por ter o menino mais bonito do mundo a crescer, a fazer-me crescer também e a sermos felizes os dois!

25 maio 2009

A Shaktí

«O termo shaktí significa energia. Por extensão, designa a companheira tântrica, que pode ser esposa, amante ou amiga. Dependendo do uso na frase, pode também referir-se à kundaliní ou, ainda, à Mãe Divina.

No Tantra, aprendemos um conceito muito bonito, segundo o qual Shiva sem Shaktí é shava. Isto é, "o homem sem a mulher é um cadáver". Shiva é o arquétipo masculino, que deve ser catalisado pela Shaktí, arquétipo feminino. Veja como é interessante: a mulher, quando companheira, denomina-se Shaktí, que significa literalmente energia. É aquela que energiza, que faz acontecer.

Sem a mulher, o homem não evolui na senda tântrica. Nem a mulher sem o homem. É preciso que tenhamos os dois pólos. Podemos fazer passar qualquer quantidade de eletricidade por um fio e ainda assim a luz não se acenderá, a menos que haja um pólo positivo e outro negativo, um masculino e outro feminino. Assim é nas práticas tântricas.

O Tantra também possui um componente fortemente poético que contribui para tornar as pessoas mais sensíveis e aumenta o senso de respeito e de amor entre homem e mulher. Nesse sentido, um dos seus conceitos mais encantadores ensina que, para o homem, a mulher é a manifestação vivente da própria divindade e, como tal, ela deve ser reverenciada e amada. A recíproca é verdadeira, pois a mulher desenvolve um sentimento equivalente em relação ao homem.

MAHÁ SHAKTÍ
Na nossa tradição, reconhecemos um tipo especial de Agni Shaktí, denominada Mahá Shaktí - a Grande Shaktí, a Grande Energia, ou a Grande Deusa. Somos sempre gratos à Mahá Shaktí pelo impulso evolutivo que ela nos proporciona e a reverenciamos com extremo carinho e respeito.
A Mahá Shaktí é uma mulher que sente prazer em conceder darshans e os proporciona com freqüência. Estimula os shaktas como uma missão. Professa uma sexualidade plena, exuberante, irrestrita e bem resolvida. Mantém o corpo em forma para que sua visão seja uma oferenda de arte e jamais uma agressão à estética. Alimenta a noção de que a diferença entre o erotismo e a obscenidade está no grau de sutileza e sensibilidade com que as atitudes são levadas a efeito.
Embora a Mahá Shaktí seja uma mulher liberada e sensual, em todas as suas atitudes, recende elegância e sofisticação. Pela própria natureza do seu código comportamental, não exerce a possessividade nem impõe aos parceiros o amargo fel do ciúme. Sabe comportar-se e não invade os limites físicos ou emocionais das demais Shaktís. Pode transmitir o tantra kripá, um toque energizante que estimula chakras e kundaliní através da libido. Esse kripá normalmente não é utilizado no Ocidente devido aos nossos bloqueios culturais. No entanto, pode ser transmitido pela Mahá Shaktí. Ela tem uma sensibilidade acima da média e torna tudo o que faz lindo, sutil, natural e espontâneo. A Mahá Shaktí é condecorada com uma medalha do ÔM que tem o verso diferente das demais. Se, eventualmente, ela deixar de merecer essa insígnia, deverá devolvê-la; caso contrário, a medalha lhe será tomada naturalmente: ela a perderá!

A REVERÊNCIA À SHAKTÍ

A Shaktí só receberá toda aquela reverência do seu adorador, o Shakta, se for merecedora desse status que conquista por mérito próprio e um dos fatores para tanto é a reciprocidade da adoração ao Shakta.
Outro requisito é que a mulher seja tântrica e não brahmácharya. Noutras palavras, que ela não seja machista. É a própria postura da mulher que, ao se comportar como bibelô, dondoca, Cinderela, dona-de-casa, etc., termina demolindo o respeito do homem por ela.
Finalmente, a mulher tântrica deve ser competente ao atuar no mundo. O Shakta só poderá tratar como deusa a mulher que seja uma vencedora e não uma completa incapaz. É preciso que ela saiba ganhar dinheiro, tanto ou mais do que ele. Que ela saiba guiar o automóvel tão bem, ou melhor do que ele. Enfim, que não aja como uma alienada que precise ser o tempo todo ensinada, ajudada, amparada, pois se lhe faltar o braço forte do homem ela será capaz de cair... Assim como o homem só consegue ser cavalheiro se a mulher agir como uma dama, ele só consegue ser tântrico se ela também o for. »

DeRose in Tantra, a Sexualidade Sacralizada

O amor e a paixão



Os Heróis do Mar e o seu sublime AMOR

Composição: Pedro Ayres Magalhães

Ai este caminho em flor
Cheio de sol
Perfumado com o nosso amor

Quando a tua mão e a minha
Trocam doçuras
No calor eterno de ternuras

Ó amor não me mataste o desejo
Ó amor com o teu primeiro beijo
Ó amor não me mataste o desejo
Ó amor com o teu primeiro beijo

Quando a tua mão e a minha
Trocam delícias
No calor eterno de carícias

Ó amor não me mataste o desejo
Ó amor com o teu primeiro beijo
Ó amor não me mataste o desejo
Ó amor com o teu primeiro beijo




E o seu singelo PAIXÃO

Composição: (Pedro Ayres Magalhães | Heróis do Mar)

Jurei ser eu o teu luar
Brilhar só eu no teu olhar

Paixão, paixão não vais fugir de mim
Serás paixão até ao fim
Paixão, paixão não vais fugir de mim
Serás paixão até ao fim

Oh por favor vá lá sorri
Dou-te esta flor um beijo a ti

Paixão, paixão não vais fugir de mim
Serás paixão até ao fim
Paixão, paixão não vais fugir de mim
Serás paixão até ao fim

Paixão, paixão não vais fugir de mim
Serás paixão até ao fim

Paixão, paixão não vais fugir de mim
Serás paixão até ao fim
Paixão, paixão não vais fugir de mim
Serás paixão até ao fim

20 maio 2009

O que sabemos a visitar os blogs uns dos outros... II

E mais uma vez no Selva Urbana, deparei-me com algo que não tinha conhecimento, mas desta vez a dor é muito maior, a dor de achar que nada consigo fazer para que questões destas não voltem a acontecer, nunca mais...

É revoltante saber que tudo isto acontece debaixo dos nossos narizes e que nos sentimos impotentes... Eu sinto-me!!! É impossível ficar na mesma ao relembrar que esta criança morreu por nossa culpa, desculpem o nossa, vou assumir que é só minha a culpa de cada criança que morre à fome, enquanto eu me deleito com mais um cappuccino cheio de chocolate coisa que ela nem sonha existir...

Tantos que esbanjam enquanto outros nem uma migalha conseguem comer simplesmente para sobreviver...

Tantos que se acham pobres e vivem frustrados porque têm um tecto para viver, comida nas suas mesas, roupa para vestir, carro para se transportar, mas não é a casa que querem, não é a roupa que gostavam de exibir, não é carro que tanto desejavam conduzir...

Pior, tantos são aqueles que dizem ter passado fome e dificuldades e que hoje são os primeiros a deitar no lixo aquilo que tanta falta faz àqueles que, simplesmente, precisavam de uma mão amiga que lhes trouxesse uma migalha à boca, por já não terem forças, e uma gota de água para refrescar as suas lágrimas de contentamento por ao menos terem essa migalha como esperança para continuar a viver...

Desculpem se está confuso (é o emocional a falar), mas revolta-me sentir-me impotente por não salvar estas crianças e por viver numa sociedade egoísta e ainda não ter conseguido fazer nada para mudá-la.

Quando era criança ouvia esta música, tenho o single, mas hoje acho que já não existe nada disto, ou será que sou eu que não ando atenta?!



E acabaram com o: come isso que há muitas crianças a morrer à fome! Mais uma vez desculpem-me se acham que já não é socialmente correcto, mas eu digo isso ao meu menino, inclusive já lhe mostrei imagens de crianças com a barriga grande de fome e não por excesso de comida. Ai nem me quero lembrar das crianças obesas que para aí andam... por excesso de tudo... Não vou falar mais...

E pensar que bastava uma mudança de hábitos alimentares... Ovo-lacto-vegetarianismo, Lacto-vegetarianismo, Vegetarianismo, por exemplo. Bastava consultar o livro Chega de Abobrinha do Mestre DeRose para ver que a mudança é fácil, muito fácil!



AMOR só peço um pouco mais de AMOR para todos, por todos... Eu ando a esforçar-me para pautar a minha vida com cada vez mais AMOR AO PRÓXIMO, independentemente das características de cada um, das compatibilidades no dia-a-dia, AMOR UNIVERSAL e DESINTERRESSADO.

Outra referência

"Dizem que sou louco
por pensar assim,
se eu sou muito louco
por eu ser feliz,
mais louco em que me diz e não é feliz!..."



Soberbo!!! Ney Matogrosso, que presença!

E já agora quem sabe responder-me à seguinte questão:

"O que é pior: ser infeliz ou estar convencido disso?" DeRose

19 maio 2009

Um génio




Para mim, o António Variações foi um génio, sem dúvida fora de época como todos os génios, excêntrico e transbordante de vida. A sua forma de estar transpirava a sua, talvez, inocência ou, simplesmente, a sua sede de viver a vida de uma forma mais pura e verdadeira.

Não encontrei o teledisco desta música:


mas está lá uma das frases mais bonitas que até hoje ouvi sobre o amor:

Vem que amor não é o tempo nem é o tempo que o faz, vem que o amor é o momento em que me dou em que te dás!

E esta?!



Maravilhosa!!!!

De facto todas são referência, referências para mim...













O mítico:


A seguinte fantástica:


E foi exaustiva a homenagem? acho que nunca são demais as homenagens, quando vindas cá de dentro... E o que é nacional é mesmo bom!!!













E para que não se percam mais génios assim do nada

USA SEMPRE PRESERVATIVO!

Faz parte das regras de etiqueta e convivência.
Já agora leiam o livro Boas Maneiras do DeRose.

18 maio 2009

De DeRose







" A realidade é uma questão de óptica"

15 maio 2009

De Luísa Sargento

" Só quando o pouco te satisfizer, é que o muito te chegará "



E enquanto não compreendes este meu pensamento, procura no google o site onde se encontra esta foto! Vai por Método DeRose, Lisboa, quem sabe Chiado. Os primeiros a descobrirem ganham uma aula experimental!

Música Portuguesa

Saudades de vos ver...



http://www.myspace.com/oioai

e vejam também:
http://www.myspace.com/fredmusica

14 maio 2009

O Gigante Sôfrego e o Anão Comedido

" No tamanho, o Gigante dir-se-ia uma torre. Ao andar, o seu peso descomunal punha o solo em tremuras. Tossindo, as árvores esgalhavam-se, vergadas cpmo se fossem açoitadas por uma ventania. As mãos quando abertas, eram tão grandes, que produziam mais sombra do que a vela de uma navio. E que peludos os seu braços, com pêlos direitos e rijos como pinheiros novos?! Os cabelo caíam-lhe, então, grossos e em madeixas crespas, sobre os ombros, como feixes e novelos de cobras. E, em tão extraordinária cabeleira, aé um casal de melros construíra o seu ninho.

O Gigante empunhava uma enxada. E noite e dia cavava o terreno, à frente do seu castelo, em busca de um rico tesouro, que era tradição ali ter sido escondido. Cada enxadada abria um buraco maior do que o provocado por uma bomba. E o Gigante não se cansava, porque tinha em mira enriquecer depressa. Sim, ele era muito pobre. No seu castelo, os único móveis cingiam-se a uma mesa de pinho e a uma cadeira. E, por ser tão pobre, não se resignava a angariar lentamente a riqueza. Se não fosse o seu vizinho Anão, decerto que já teria há muito morrido de fome. Cavando sem detença, há cerca de três anos, não ganhava com que alimentar-se. Mas o vizinho fazia-lhe amiúde pequenos empréstimos de dinheiro e géneros, à conta do presumível tesouro. E assim o Gigante aguentava-se, sem quebra na empresa em que se metera.

Não obstante, o senhor Anão, porque era ajuizado e boa pessoa, não deixava de aconselhá-lo, a cada novo pedido:
- andais por mau caminho, amigo Gigante! Se fora comigo, preferia trabalho menos canseiroso, porém capaz de ir dando frutos aproveitáveis. Eu cá não tenho pressa de enriquecer. Todos os dias amanho, durante umas horas, os meus campos. Depois, vou ao mercado da cidade vender as couvitas e os nabos, e ainda me fica tempo para gozar o sol e ouvir o canto dos passarinhos, para a pesca na ribeira ou para dedicá-lo à minha viola.

E o senhor Anão, que a seu lado se diria uma formiga, puxava duas fumaças do cigarrito, afagava o queixo de barba rala ou cantarolava o "ai-ó-linda", olhando-o compadecido. Mas o Gigante - qual quê? - de tão preso à tarefa, nem se quer o ouvia. E era pena, porque, se examinasse as bochechas rosadas e a gorda barriguinha do senhor Anão, provas evidentes da sensata e agradável vida que este levava, compreenderia num ápice que o seu conselho era atilado.

Dez anos decorreram desde que o Gigante Sôfrego iniciara a busca do tesouro. Mas desses dez anos, por motivo da ininterrupta canseira sofrida, representavam para ele trinta. Extemporâneamente, os cabelos haviam-lhe embranquecido, cobrindo-lhe a cabeça de neve. Nas mãos tinha grandes calos, produzidos pelo cabo da enxada. Já via mal, cansados os olhos de tanta procura. Nas costas, por andar sempre curvado, crescera-lhe uma giba. E, de mirrado em que o pusera o trabalho, afigurava-se um comprido bacalhau seco.

Mas, enquanto isso lhe acontecia, o seu amigo Anão Comedido continuava rijo como um pêro, indo à pesca e tocando viola. E com o dinheiro, juntou moeda a moeda, tornara a sua cabana numa linda casinha de telha, com craveiros e manjericos em todas as janelas. Apesar de não ter atingido aquela riqueza que pretendia o Gigante Sôfrego, era, contudo, um homenzinho feliz, pois gozava a vida, sem entretanto desperdiçá-la.

Certa tarde, já quando, exausto, o Gigante Sôfrego não podia dar mais uma enxadada, o ferro bateu de súbito em objecto sonante. E o Gigante achou-se milionário, pois encontrara finalmente o tesouro - um bojudo cofre repleto de moedas de oiro e prata, diamantes e pérolas.

Mas, se logo nessa noite, quando se dispunha, ao cabo de dez anos, pela primeira vez, a saborear uma longa soneca, a falta de hábito de possuir haveres, o medo dos ladrões, conservou-o acordado No dia imediato o catarro e o reumático não lhe consentiram que fosse ao cinema ou aos "cavalinhos", no gozo da riqueza achada. E, à hora da ceia, a falta dos dentes obrigou-o a não tocar no peru e na torta de maçã cujos cheirinhos faziam crescer água na boca. E o Gigante Sôfrego cogitava, com o coração tristonho: " Para que me serve afinal a riqueza, se esta só me inquieta, não permitindo nenhum prazer? Gastei a vida, rapidamente, a fim de obtê-la, preso a uma desmedida ambição. E para quê, se, conseguida, resultou mais num empecilho do que num gosto? Em dez anos vive trinta, sem proveito algum..."

Enquanto isto sucedia ao Gigante Sôfrego, o seu amigo Anão Comedido passava resvés ao castelo, tocando viola e cantarolando o "ai-ó-linda", com destino ao carrocel, à montanha russa e ao furinho dos chocolates da Feira Popular. O Gigante avistou-o através da vidraça partida da sua janela. E, chorando, ficou-se a dizer em voz alta:
- Ai, amigo, que louco fui em não te escutar! Só agora verifico que tinhas razão...

E, lamentando-se assim, acabou por morrer, possuidor de tanta riqueza inútil, enquanto, já na Feria Popular, o Anão Comedido, a cavalo numa zebra de pau, petiscava um grosso chocolate, ainda com vinte anos de vida para gozar, antes que tivesse catarro e reumático ou falta de dentes. "

Conto Infantil de João Sereno in Colecção Formiguinha

13 maio 2009

Estórias infantis


Como em todas as noites, ontem reli algumas das estórias que li em criança, o meu menino de olhar atento, tocava em algumas madeixas do meu longo cabelo, encaixando-as atrás da minha orelha, para lhe dar espaço a poder observar-me enquanto lia uma por uma as palavras daquelas três estóricas que ele acabara de escolher. Os três livros muito pequeninos, todos do mesmo tamanho, focavam pontos diferentes daquilo que foi construindo o ser que sou hoje e eu que ando a reler o Eu me Lembro do DeRose, pensava como gostaria de ter tido alguém que mo tivesse lido enquanto criança e como deveria começar a lê-lo ao meu menino ainda hoje ou será que talvez seja melhor que ele o descubra quando for maior, para que possa desfrutar de cada uma das linhas com a mesma intensidade com que eu as desfruto? Não sei, acho que também não me interessa... um dia destes apresento-lhe o livro que lhe dei ainda quando ele tinha apenas 2 anos.

Naquelas três estórias percebi porque sou como sou e, em cada uma delas, tive de conter a emoção, as lágrimas para não ter de explicar o porquê de estar assim. Sei que é pura parvoíce, o meu menino já me viu chorar por diversas razões, essencialmente de felicidade! mas também de descontentamento.

A primeira contava a história de um Jovem Rei cuja infância tinha sido vivida no seio de uma família de pobres pastores, assim o seu avô o desejara, quando subiu ao trono quis portar um manto e uma coroa dos materiais mais nobres e caros que havia no reino, mas durante a noite teve um sonho, um sonho que o atormentou e quando chegou o grande dia apenas vestia o seu casaco de pele e o cajado de pastor. Os seus súbditos quiseram destroná-lo, ameaçaram-no e quando chegou ao altar-mor uma luz intensa vinda de cima iluminou-o e, então, o padre disse: escuso de coroar-te porque já alguém o fez.

A segunda abordava a vida de um papagaio e do marinheiro seu companheiro que quis satisfazer a vaidade do seu amigo e, quando este envelheceu, ofereceu-lhe uma capa feita das mais belas penas para que este se mascarasse e ninguém se apercebesse que envelhecera. Só que as outras aves astutas perceberam que algo de errado estava ali e, um dia, tiraram-lhe a máscara com que se vestia e a realidade apareceu: nua e crua!

A última vou transcrevê-la amanhã, acho justo partilhá-la convosco... E enquanto isso mostro-vos uma passagem do livro Eu me Lembro, DeRose, Nobel e Uni-Yôga:

" As repreensões

Quando nós, crianças, fazíamos algo que não devíamos, meus pais e todos os mais velhos costumavam abraçar-nos de uma forma peculiar e ficavam quietinhos nos embalando. Com isso, já sabíamos que tínhamos feito algo que havia entristecido alguém. Aí, abraçávamos forte em retribuição, e isso significava que estávamos arrependidos pela nossa atitude. Quando a tristeza passava, começávamos a arrulhar e esfregar carinhosamente o rosto sobre o cabelo, ou sobre o peito do outro, e isso significava que a mágoa havia terminado. Essa era nossa maneira de admoestar as crianças e era também assim que os adultos manifestavam as suas rusgas conjugais. Não era costume entre nós contender verbalmente, acusar, ou esperar que o outro aceitasse sua "culpa" e se desculpasse; enfim, todas aquelas complexidades do relacionamento humano tão comuns noutras culturas. "

12 maio 2009

O que sabemos a visitar os blogs uns dos outros... I

Pois é, estava hoje na minha visita diária aos blogs que estão aí no item consultar e ao chegar ao Selva Urbana fiquei a saber que o Patrick já está noutros planos e apenas, há poucos dias, soube que ele estava a lutar contra um cancro. Ainda me lembro da última vez em que vi o Dança Comigo (Dirty Dance) e chorei baba e ranho por querer um amor assim... daqueles que vêm e não vão mais embora, ficam e ficam para sempre e que surgiram onde menos se esperava... Foi há menos de um ano e meio :)

Romântica, enfim sou uma daquelas românticas sem cura! Felizmente por um lado, infelizmente por outro... Li muitas histórias de príncipes e princesas e continuo a lê-las ao meu menino para que também ele saiba que todos temos direito a viver histórias de encantar por mais curtas que sejam, por mais sofrimento que, às vezes, nos causem por não terem o final que tanto queríamos e que não aceitamos que assim não seja.

Noutro dia, de passagem pelo Jumbo do Allegro, olhava para os filmes que estão a 3€ ou 4€ e pensava qual levar para me distrair na noite em que o meu menino está com o pai: olhei vi o terapia do amor, mas resisti achei que...enfim, levei para casa as lágrimas de crocodilo. Não era o que precisava... Passados uns dias voltei à mesma prateleira do Jumbo e trouxe a geração fastfood e a terapia do amor: vi duas vezes seguidas, voltava a ver hoje e amanhã! Que história tão bonita, apenas preferia que tivessem ficado juntos, mas o amor que ela sentia não lhe permitia aprisionar a pessoa amada...



E lembrei-me das lágrimas que escorreram o meu rosto no mamma mia, quem chora no mamma mia?! Românticas incuráveis como eu lolol Fogo passados todos aqueles anos acabam por ficar juntos, quando nunca se deviam ter separado, só que o amor tem destas coisas: às vezes não se vê o óbvio e, na maior parte das vezes, consultamos quem não devemos: os outros, que por mais amigos que sejam, nunca saberão responder-nos o que é realmente melhor para nós e invadem-nos com os seus pré-conceitos! Pior achamos sempre que o outro foi embora para sempre e, se calhar, só foi resolver algum assunto e lá surgem as precipitações... Será que eu alguma vez perdi um grande amor por isso?... Provavelmente sim! Mas se efectivamente era O Meu Grande Amor há-de voltar e enquanto isso vou continuando a procurar o meu príncipe encantado que não é um homem perfeito e sim o homem perfeito para mim: cheio de defeitos que eu também os tenho; não importa se bonito segundo os padrões sociais, mas bonitos aos meus olhos - aquele tipo de homem que um só olhar me faz olhar novamente; cuja conversa se encaixe com a minha, bem como as convicções e projectos de vida; alguém tolerante para que eu também o possa ser; alguém a quem eu dê energia porque também dele surge a chama que acende o meu fogo; alguém a quem eu possa amar sem reservas, sem medo...

Já tive bonitas histórias de amor, ainda noutro dia tudo parecia perfeito: uma troca de olhares numa rua, a coincidência de estarmos na mesma festa, uma trovoada incrível, um arco-íris como há muito não via, um momento intenso que durou segundos, minutos, horas e que terminou não sei muito bem como... Não me dói porque me doeu muito mais um mês e tal antes e porque sei que foi maravilhoso e foste o sol que me iluminou quando precisei e porque não me iludi, mas lá que a conjuntura era mais que perfeita, era..., quem sabe se da próxima será tudo ainda mais que perfeito e finalmente chegas!

E enquanto isso vou rever a terapia do amor e sonhar com algo assim, só que com o fim que eu idealizo: aquele em que ficas comigo e juntos construímos o nosso mundo...

08 maio 2009

Movimento Slow

"Hoje mais que nunca, o indivíduo moderno vive submergido numa particular corrida de obstáculos em que controlar o cronometro até a o último segundo determina nossa existência. A desconexão com o meio natural e o seu tempo, ligada as estações e demais fatores que escapam ao nosso controle, parece uma miragem nas sociedades ocidentais de hoje em dia. As cidades tornam-se anônimas e levitamos, submergidos no nosso peculiar universo de interesses. A pressa é o motor de todas as nossas ações e a cinética do Grand Prix envolve a nossa vida acelerando-a, economizando cada segundo, rendendo culto a uma velocidade que não nos faz ser melhores.

O movimento Slow não pretende abrir os cimentos do que foi construído até a data. A sua intenção é iluminar a possibilidade de levar uma vida mais plena e desacelerada, fazendo que cada indivíduo possa controlar e se apropriar do seu périplo vital. A chave reside num julgamento correto do desenvolvimento adequado para cada momento da corrida diária. Deve-se poder correr quando as circunstancias instam e suportar o temido estresse que em muitas ocasiões nos invade; mas ao mesmo tempo saber parar e usufruir de um presente prolongado que em muitos casos fica sepultado pelas obrigações do futuro mais imediato.

Muitas vezes a lentidão vem associada com valores negativos. Lerdeza, desinteresse, tédio são dimensões que não recolhem os efeitos benéficos de uma atitude pausada, bem razoada e segura.

As decisões importantes nem sempre devem ser tomadas ao azar, impulsivamente, isso o sabemos todos. Resulta difícil acreditar que realizar mais de uma atividade ao mesmo tempo pode deparar resultados positivos, e sim mediocridade nos diferentes cenários. Mesmo assim, nem sempre a inatividade é sinônimo de vazio.
A lentidão contemplativa integra-nos no meio e pode ser o refugio de idéias brilhantes que nos ajudam positivamente no nosso proceder.
O movimento Slow quer dar ferramentas aos indivíduos para que suas existências não sejam uma mera sucessão de cenários encadeados, desprovidos de emoções.

Em definitivo, o movimento Slow é uma fonte de prazer, útil para se afastar de uma vida estandardizada regida pelo ponteiro do nosso relógio de pulso, submetida por uma velocidade que erradica a nossa capacidade para desfrutar do momento esperado quando este finalmente se assoma."

Visite o site http://www.movimientoslow.com/pt/filosofia.html

Mais coreografias do Método DeRose



No one is perfect

Hoje tenho uma t-shirt com uns desenhos e, no final, diz: No one is perfect... Como a Tyre Banks diz SO WHAT?! isso é desculpa para o quê?!?!

Adoro o SO WHAT... mas voltando às desculpas porque será que o ser humano está sempre a inventar desculpas para a suas atitudes menos dignas ou próprias? Sim, não sou perfeita mas essa não pode ser a desculpa para estar sempre a fazer borrada!

Esta atitude egoísta do primeiro eu, sou assim e não mudo, desenvolve em todos atitudes estranhas de seres que supostamente são sociáveis mas que acabam por se tornar "aproveitadores" da sociedade...

Nem sei porque estou a dizer isto, apeteceu-me! Deve ter sido porque ontem fiz diferente do costume e custou-me, senti que me estava a reprimir só que no one is perfect e para sair de um vásana convém fazer justamente diferente do que iríamos fazer se fosse anteriormente, mas se houve sentimento de repressão teria sido melhor ter feito igual! SO WHAT deixem-me ser quem sou que continuarei a ter em atenção cada um de vós, procurando todos os dias que a minha liberdade não interfira na vossa!

05 maio 2009

De DeRose

"A indecisão (...) é fruto da insegurança e da imaturidade."

DeRose homenageia Renata Sena


"Homenagem a Renata Sena: Unidades Rive Gauche, Chiado, Amadora, Faro e Zélia Couto e Santos
Segunda-feira, 4 de Maio de 2009 | Autor: DeRose

Escutando o som enlevante do Os Lusíadas, do ZéPaulo, afloraram-me à memória algumas das Unidades geradas pela fúria realizadora da Renata Sena, talvez a única pessoa que compreendeu meu Senso de Urgência (leia esse post) e cumpriu sua missão com a presteza que preconizo. Caso ela não o tivesse feito, teria passado ao Oriente Eterno sem deixar uma obra tão expressiva. Ela formou a Zélia, que trouxe o artista ZéPaulo. Renata formou a Sónia Saraiva, que levou o Nosso Método para a França e hoje preside a Federação Francesa. Renata preparou uma quantidade relevante de bons instrutores, jovens, bonitos, inteligentes, engajados, com ganas de realizar. Renata foi uma semeadora impetuosa que, além das escolas que lhe foram filhotes, como a Unidade Faro e a da Zélia, fundou suas duas unidades: Amadora e Camões (hoje Chiado). Nesta última viagem pude revisitar essas duas escolas e fiquei muito gratificado pelo bom-gosto, pela beleza da decoração e pela continuidade no sentimento de missão e de urgência. É preciso formar muito novos instrutores, bem preparados, sérios, profissionais, jovens, inteligentes e educados, como o são os que a Renata nos deixou.

Como no caso dela, não sabemos quando será a nossa hora. É preciso deixar um trabalho digno, lindo, respeitável. Pela lógica, eu partirei bem antes dos demais. E queria muitíssimo ver nossos sonhos realizados mundo afora, bem alicerçados e com a observância estrita da Quarta Característica."

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